Carbon Free SUMMIT 2026: os principais aprendizados sobre descarbonização corporativa
Mais de 400 participantes acompanharam palestras e painéis sobre mercado de carbono, riscos climáticos, governança, certificações e o futuro da descarbonização corporativa no Carbon Free SUMMIT 2026.
Autor: Vivian Fragoso Pellis Publicado em 26/08/20269 min de leitura
No dia 30 de julho, mais de 400 participantes passaram pelo Cubo Itaú, em São Paulo, para acompanhar a quarta edição do Carbon Free SUMMIT. Ao longo de um dia de programação, executivos, pesquisadores, representantes do setor público e especialistas compartilharam experiências e perspectivas sobre os desafios que já fazem parte da rotina das empresas: mudanças climáticas, mercado de carbono, gestão de emissões, governança, riscos climáticos e competitividade.
Mas, antes mesmo do início dos painéis, um detalhe já chamava a atenção de quem chegava ao evento. A identidade visual do auditório estava marcada pelas Climate Stripes, gráfico criado pelo climatologista Ed Hawkins que mostra, por meio de faixas em tons de azul e vermelho, o aumento da temperatura média do planeta ao longo das últimas décadas.
Para além de um elemento visual, a escolha representava o propósito desta edição do Carbon Free SUMMIT. As listras lembravam que as mudanças climáticas já fazem parte do presente, mas também deixavam uma provocação: a próxima listra ainda não foi pintada. A cor que ela terá dependerá das decisões tomadas agora por empresas, governos e sociedade.
Foi com essa reflexão que o Carbon Free SUMMIT 2026 reuniu nomes como Carlos Nobre e Izabella Teixeira, além de lideranças de empresas como Banco do Brasil, Electrolux, Fundação Toyota do Brasil, Votorantim Cimentos, Heineken, Natura e diversas outras organizações que vêm transformando a agenda climática em estratégia de negócio.
Um encontro para quem lidera a agenda climática nas empresas
Desde a abertura, o Carbon Free SUMMIT 2026 reforçou sua proposta de reunir diferentes perspectivas sobre um mesmo desafio: como preparar empresas para um cenário em que sustentabilidade, competitividade e gestão de riscos caminham juntas.
A programação foi construída para conectar ciência, setor produtivo, mercado financeiro, poder público e especialistas que atuam diariamente na implementação de estratégias climáticas. No decorrer do dia, os debates passaram por temas como mercado regulado de carbono, riscos climáticos, métricas de impacto, retorno dos investimentos em sustentabilidade, certificações, governança e o papel do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono.
As discussões levantadas apresentaram conceitos, mas revelaram, sobretudo, como esses assuntos já fazem parte da rotina das empresas. As discussões envolveram desafios relacionados à coleta de dados, adaptação às novas regulamentações, engajamento da cadeia de valor, tomada de decisão e integração da agenda climática ao planejamento estratégico.
Outro aspecto que marcou esta edição foi a diversidade de setores representados. Empresas da indústria, do setor financeiro, da mobilidade, do varejo, da mineração, da construção civil, da consultoria e da economia circular compartilharam experiências que mostraram que, independentemente do segmento, a transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser uma pauta restrita às áreas de sustentabilidade.
Ciência, estratégia e negócios marcaram a programação
Um dos momentos definitivamente mais aguardados da programação foi a palestra magna de Carlos Nobre, cientista reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre mudanças climáticas e Amazônia. Encerrando a programação da manhã, o pesquisador trouxe uma reflexão sobre os impactos do aquecimento global, a importância da ciência para orientar decisões e o papel do Brasil diante da transição para uma economia de baixo carbono.

Ao relacionar clima, biodiversidade, inovação e desenvolvimento econômico, Carlos Nobre reforçou que a adaptação às mudanças climáticas já não é uma discussão para o futuro. Os efeitos dos eventos extremos sobre cidades, cadeias produtivas e atividades econômicas tornam, cada vez mais necessária, a integração entre conhecimento científico, políticas públicas e estratégias empresariais.
Mudanças climáticas já fazem parte das decisões de negócio
A mensagem apresentada por Carlos Nobre dialogou diretamente com diversos painéis realizados no evento. Em diferentes momentos da programação, executivos e especialistas mostraram que temas como gestão de emissões, riscos climáticos, governança e inovação passaram a influenciar decisões relacionadas à competitividade, investimentos e crescimento das empresas.
Esse movimento ficou evidente nas discussões sobre métricas de impacto, mercado de carbono e gestão de riscos, que destacaram a necessidade de incorporar a agenda climática ao planejamento estratégico das organizações.
Ao conectar ciência e prática empresarial, a programação da manhã estabeleceu o tom que acompanhou todo o evento: enfrentar os desafios climáticos exige colaboração entre diferentes áreas e uma visão de longo prazo capaz de transformar conhecimento em ação.
Mercado de carbono e regulamentação: como as empresas podem se preparar
O avanço do mercado regulado de carbono esteve entre os assuntos mais debatidos do Carbon Free SUMMIT 2026. A programação reuniu diferentes perspectivas sobre o tema, desde os desafios regulatórios até os impactos práticos que as novas regras devem trazer para empresas de diferentes setores.
Na palestra "Mercados de carbono: transparência e integridade", Bruno Brazil trouxe, ainda no período da manhã, uma visão sobre a evolução dos mercados de carbono. O Cofundador e CEO da brCarbon destacou, sobretudo, a importância de construir mecanismos que garantam credibilidade, rastreabilidade e segurança para empresas e investidores.
O painel sobre Setores intensivos e regulamentações ampliou a discussão ao reunir representantes da Votorantim Cimentos, Amcham Brasil, Ius Natura e Trennepohl Advogados. O debate mostrou que a regulamentação deve ser encarada como um movimento que já influencia o planejamento estratégico das organizações.
A preparação começa antes da regulamentação
Embora o SBCE ainda esteja em fase de implementação, um dos principais consensos do painel foi que as empresas não precisam (e nem devem) esperar a regulamentação completa para iniciar sua preparação.
Inventários de emissões consistentes, processos de governança, acompanhamento das emissões e conhecimento da própria cadeia de valor . Essas foram apontadas como etapas fundamentais para organizações que desejam responder com mais segurança às futuras exigências regulatórias.
Desse modo, outro aspecto discutido foi a necessidade de compreender as emissões para além de uma questão de conformidade. Em um ambiente de maior exigência por transparência e competitividade, esse conhecimento tende a apoiar decisões de investimento, inovação e posicionamento de mercado.
Dados climáticos e governança ganham protagonismo
Se o mercado de carbono mostrou para onde as empresas caminham, os debates sobre governança deixaram claro que essa transformação depende da qualidade das informações utilizadas para apoiar a tomada de decisão.
O painel "Risco climático: IFRS e novas demandas para a sustentabilidade corporativa" reuniu especialistas da Natura, Grupo Storm, Dataffairs e FEA-USP . Elas discutiram como a evolução das normas internacionais de sustentabilidade está mudando a forma como empresas reportam e utilizam informações relacionadas ao clima.
Ao longo da conversa, ficou evidente que dados climáticos já ocupam um espaço semelhante ao das informações financeiras dentro das organizações. Eles ajudam a apoiar decisões estratégicas, fortalecer processos de governança e ampliar a capacidade das empresas de identificar riscos e oportunidades.
Por vezes, um dos pontos do debate foi que essa transformação exige uma atuação integrada entre diferentes áreas da empresa. Sustentabilidade, finanças, jurídico, compliance e alta liderança passam a compartilhar responsabilidades na construção de uma governança capaz de responder às novas demandas do mercado e da regulação.
Sustentabilidade também precisa gerar valor para o negócio
Como transformar a agenda climática em resultados para as empresas? Essa foi uma das perguntas que orientou o painel "ROI da sustentabilidade", um dos mais aguardados da programação.
Representantes da Electrolux, Banco do Brasil, Fundação Toyota do Brasil e Green Mining compartilharam experiências que mostraram como a sustentabilidade pode contribuir para:
- Aumentar a eficiência operacional;
- Reduzir riscos;
- Fortalecer o relacionamento com investidores;
- Impulsionar a inovação.
Além de cases apresentados, o painel mostrou que a sustentabilidade vem sendo incorporada às decisões de negócio por seu potencial de gerar valor no longo prazo.
Os participantes destacaram que empresas que conseguem integrar aspectos ambientais à estratégia corporativa tendem, portanto, a responder com mais agilidade às transformações do mercado.

Certificações fortalecem a credibilidade da agenda climática
A confiança também esteve no centro das discussões do Carbon Free SUMMIT 2026. O painel "Selos e Certificações Climáticas" reuniu representantes da Carbon Free Brasil, Sistema B Brasil, eureciclo e BH Press Comunicação para discutir como empresas podem comunicar seus compromissos ambientais com transparência e credibilidade.
Assim, as painelistas destacaram que, à medida que a agenda climática ganha espaço nas estratégias empresariais, cresce também a necessidade de apresentar informações consistentes capazes de comprovar os resultados alcançados.
As certificações e os selos foram apresentados como instrumentos que ajudam a fortalecer a confiança entre empresas, investidores, clientes e sociedade, principalmente em um cenário em que transparência e rastreabilidade passaram a ser fatores cada vez mais valorizados.
Nesse ínterim, foi debatido a importância de comunicar compromissos ambientais de forma responsável. O painel reforçou que a credibilidade depende não apenas dos resultados obtidos. O importante é ter clareza sobre metodologias, critérios adotados e limites de cada iniciativa, contribuindo para uma comunicação mais transparente e reduzindo riscos de interpretações equivocadas.
Izabella Teixeira encerra o SUMMIT com uma reflexão sobre o papel do Brasil
Se a programação da manhã mostrou como as empresas vêm incorporando a agenda climática às suas estratégias, a palestra de encerramento ampliou essa discussão.
Com o tema "Brasil, clima e futuro: que liderança queremos exercer?", Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e uma das principais referências brasileiras na agenda climática internacional, conduziu uma reflexão sobre o potencial do país para assumir uma posição de protagonismo diante das transformações que já estão em curso.

Durante a palestra, Izabella destacou que o Brasil reúne características únicas, como biodiversidade, recursos naturais e uma matriz energética predominantemente renovável. No entanto, transformar esse potencial em liderança depende:
- Da capacidade de construir políticas públicas consistentes;
- Do estímulo à inovação;
- Do fortalecimento da ciência;
- Do avanço coordenador de empresas e governos.
Dessa forma, a mensagem dialogou diretamente com os debates realizados ao longo de todo o Carbon Free SUMMIT 2026. Se, por um lado, os painéis mostraram como as empresas vêm respondendo aos desafios da agenda climática, por outro, a palestra de encerramento reforçou, principalmente, que essa transformação também exige visão de longo prazo e escolhas capazes de posicionar o Brasil como protagonista na economia de baixo carbono.
O que fica do Carbon Free SUMMIT 2026
O Carbon Free SUMMIT 2026 reuniu diferentes perspectivas sobre um mesmo desafio. Ao mesmo tempo que pesquisadores trouxeram o olhar da ciência, empresas compartilharam experiências práticas, especialistas discutiram os impactos da regulamentação e lideranças refletiram sobre o papel do Brasil na construção de uma economia de baixo carbono. Juntas, essas conversas mostraram que a descarbonização corporativa já faz, definitivamente, parte das decisões estratégicas das organizações.
Talvez essa tenha sido a principal mensagem desta edição: não existe uma solução única para enfrentar as mudanças climáticas. Existem diferentes caminhos, diferentes níveis de maturidade e desafios específicos para cada setor. Mas existe também um ponto em comum entre todos eles: a necessidade de transformar conhecimento em ação e colaboração em resultados.
Não por acaso, o movimento Show Your Stripes acompanhou toda a experiência do evento. Elas lembram que a história do clima continua sendo escrita todos os dias.
E serão as escolhas feitas por empresas, governos e sociedade — muitas delas debatidas ao longo deste Summit — que definirão a cor do futuro.

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